terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Informe extraordinário

Meus queridos,
informo a todos que por um pedido da companhia aérea troquei meu voo.
Saio do México no dia 22 às 23h55 e chego em Sao Paulo na tarde do dia 23 de dezembro, às 13h45, e o melhor: sem escalas!!!
Ou seja, saio mais tarde, chego mais cedo e ainda volto pra minha terrinha chique no último. Depois, quem quiser, conto o porque!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Sete sentidos

Sou perceptiva; sou capaz de perceber e desfrutar de cada sensação primária.
Nascemos com os cinco sentidos e somos capazes de desenvolvê-los pouco a pouco,
E eu, no meu eterno exercício de cada vez sentir mais, os exercitei com esmero e plenitude.

Hoje reparo na poesia que é reparar no coelho empinado na lua,
Sentir que o frio da noite é maior que o da madrugada,
Escutar o vento sussurrar palavras doces no meu ouvido,
Se dar conta de que a cidade se perfuma para o momento em que passar,
E degustar o sabor da vida na nossa boca.

Mas nada se compara ao que você faz com os meus sentidos:
(Todos eles ficam mais a flor da pele)
Ver o coelho desenhado na lua tem uma cor mais brilhante,
Se arrepiar com a brisa quente da madrugada fria,
Ouvir você me falar palavras doces,
Aspirar o perfume do teu hálito
E sorver o sabor da tua boca.

Com você, chego até a acreditar que desenvolvi outros sentidos; além dos cinco convencionais do ser humano, exercitei a intuição, pra tentar adivinhar o que acontecerá de tantos sentidos concomitantes e até mesmo o sentido inominável, naquele onde nada tem sentido.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Aviso aos navegantes

Queridos familiares e amigos, daqui a menos de um mês embarco com destino a minha terrinha tão amada.
Em precisamente vinte e sete dias estarei entre aqueles que mais amo, tomando cerveja com meus amigos da faculdade, festejando o natal com minha família linda, dando um abraço no Senhor Sergio e recebendo o cafuné da Dona Cleusa.
Sei que já tenho planejado, logo no dia 23 de dezembro, porém à noite, um encontro da Safra 2003, onde as risadas, besteiras, zoação e cerveja Original de garrafa de 600 ml gelada no copo americano estão garantidos. Além do natal da casa da minha tia Con, com direito a papai noel e tudo. Sem contar na passagem de ano no meu apê em Mongaguá.
Dentro de poucos dias entrarei no avião da Aeroméxico, com destino a Lima, no Peru, lá faço uma escala, onde esperarei sete horas e vinte minutos para embarcar na aeronave da Lan para, enfim chegar ao aeroporto de Guarulhos às 15h20.
Seguem os dados dos meus vôos:
Segunda-feira, 22 de dezembro, vôo LP 5397/Aeroméxico, às 17h10, com destino ao aeroporto internacional de Lima no Peru, com chegada às 00h10, já do dia 23 de dezembro.
Terça-feira, 23 de dezembro, vôo LP 781/LanPeru, às 7h30, com destino ao aeroporto de Guarulhos, com chegada às 15h20. (ufa!)
Sei que meu lindo pai estará à minha espera, mas se alguém mais quiser me recepcionar, está mais do que convidado. (hehe!)
Beijos enormes a todos.
Manu está morrendo de saudades.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Poemeto do “Pode”

Pode me puxar pelos passadores do meu jeans,
Eu não meu me importo que os outros olhem.
Pode chegar atrás de mim e respirar no meu pescoço,
Eu adoro esses arrepios.
Pode dançar comigo com seu jeito desengonçado,
Eu sei que a gente encontra um jeito de se encaixar.
Pode agarrar meus cabelos e morder meu queixo,
Eu, inconscientemente, arranharei suas costas.
Pode roçar sua barba no meu rosto,
Eu não ligo mais pra minha alergia.
Pode se aproximar e me beijar,
Eu nunca direi não pra você!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Atitudes

Sei que já fiz de tudo:
Fui às mesmas festas,
Freqüentei os mesmos lugares,
Usei fantasia e até fiz poesia.
Mas você nada se importou.

Tive que suportar sua presença se esquivando de mim,
Cruzando toda a balada só pra não passar do meu lado.
Dançando, agarrando e beijando as primeiras que você via pela frente.

Mas mesmo assim, ainda marcava seu território,
Estando perto, mesmo que a duas pessoas de distância,
Escorando a parede e me observando.

Cansei de estar perto da mesa das bebidas só pra ter a possibilidade de você esbarrar em mim.
Cansei de ensaiar uma ida à sua casa ou uma mensagem dizendo que quero te ver.
Cansei desse nó no peito que sinto sempre que te encontro e da vontade que tenho de vomitar quando te vejo paquerando outra.
Cansei das suas camisetas sempre azuis e do seu mesmo boné.
Cansei de apertar o FODA-SE pras coisas que você me faz, agora eu apertei o DELETE e até nunca mais.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Futuro do passado

Quero ser tua nesses cinqüenta dias que ainda me restam,
E reviver em cada dia a magia sentida na primeira vez.
Quero ser laçada novamente,
E receber teus beijos sem dizer uma palavra.
Quero estar em teus braços na estrelada noite fria,
E reparar que as nuvens não estão tão longe.
Quero sentir a química que exala por nossos poros,
E confirmar que ela existe em plenitude.
Quero rir da sua maneira de dançar,
E mesmo assim, dançar com você.
Quero sussurrar em silêncio,
E quase não respirar.
Quero fazer do teu braço meu cobertor,
E acordar vendo o céu no azul dos teus olhos.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Homenagem a minha avó

Escrevi este poema no dia 11 de novembro de 2004. Faz tempo, mas a pessoa cantada nos meus versos está sempre presente.

Foi festa, amanheceu
Acordei
Fui preparar o café e sentimos sua falta.
Pediram para te chamar
À margem da sua cama me postei
Seu corpo inerte - me aproximo
Seu rosto café-com-leite; uma beleza desafiadora das convenções, seu nariz quebrado, sua boca sem dentes, seus cabelos de algodão, seus olhos fechados.
O ser que mais amei estava de olhos fechados e não abririam mais.
Seus pulsos gelados, seu corpo ainda quente.
Não era verdade, era tudo brincadeira, como nos meus quatro anos você estava brincando
Te abracei, te beijei tentei te acordar e não consegui.
Enquanto outros se afastavam, continuava tentando,
mas o algodão celestial se aproximou dos seus cabelos e nunca mais brincarei com as veias das suas mãos.


quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Monumento

Outra dedicada aos meus amigos:

Estava conversando no MSN com um querido amigo, companheiro de cervejas e besteiras, e estávamos falando sobre futuro, casamento e criação de pimpolhos. Num dado momento disse que era mais provável ele ter êxito na construção familiar que eu, e ele dispara:

Manu, se você morrer solteira e sem filhos, teremos que erguer um monumento à sua homenagem em cada cidade do mundo e todos os homens passarão por ele e tirarão o chapéu, batendo no peito e pedindo perdão pela ignorância masculina.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Frase antiga

“O que eu quero nessa vida é amar e ser amada”.

Quem me lembrou dela foi um amigo de anos de escola, que acompanhou meu crescimento desde os sete anos de idade. Vimos nossos desenvolvimentos e no meio de uma aula de colegial, época em que estava começando a conhecer o amor (coisa mais clichê, mas é verdade), proferi esta frase, e o mais engraçado é que continuo querendo a mesma coisa.

Desde os meus quatorze anos sempre quis isso e o desejo persiste.

Posso dizer que já amei e fui amada, se não, fingiram muito bem.

Não sei se este é o mantra da minha vida, que me seguirá sempre, mas sigo na procura e concretização do meu máximo querer.

O que me conforta diante de tudo isso é que tenho amigos, como o que me lembrou desta frase, detentores do meu amor e que com os quais posso ter certeza de que sou amada; um amor sem fingimento, de coração aberto. Mas que a procura continua, isso sim, continua.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Um dia de sonho?

Era o dia-sonho para muitas mulheres, mas para ela, aquilo mais parecia um pesadelo.

Não queria nenhuma maquiagem muito menos um penteado ornamentado. Abdicou do dia dedicado especialmente àquela ocasião significativa para tantas. Se olhou no espelho, se maquiou como se fosse à padaria, prendeu o pedaço de tule nos cabelos, deixando grampos à mostra no alto da cabeça, vestiu o único vestido branco que tinha, que de tão desgastado, mais pareciam retalhos.

Entrou num carro qualquer e rumou para o lugar onde confirmaria a decisão para sua vida inteira. Aquele que era o sonho para muitas mulheres, para ela que esperara tanto por aquela data, agora só queria fugir, se enfiar num buraco qualquer e nunca mais voltar.

Na frente de uma construção sem importância pra ela, respirou e pensou: Não! E foi para a entrada pra respirar um ar que não havia. Foi quando seu pai pegou sua mão e com um olhar de tristeza, disse: Vamos! Novamente se fitou no espelho, reparou numa imagem sacra qualquer e pediu: Me ajuda!

Seus pés estavam apertados por uns sapatos comprados na correria do momento, queria tirá-los e foi isso que fez diante de uma grande porta. Enquanto seus dedos respiravam e ela sentia um pouco de liberdade, a mesma porta se abre diante de si. Apertou a única flor que tinha nas mãos e deu um ligeiro e tímido passo com seu pé descalço.

Estavam lá os mesmos amigos de sempre, dos churrascos de final de semana, de cinemas despretensiosos, divididos por um corredor decorado por flores que ela odiava, e no fim desse corredor estava um companheiro de pouco tempo, mas não para a vida toda.

Com a flor numa mão e o pai na outra, ela seguia reto com os olhos baixos e rasos. Ao subir os olhos viu na sua frente um homem com um terno alugado, que assim como ela, não estava certo se queria mesmo estar ali.

Depois de um beijo na testa, seu pai a entregou para aquele que a aguardava. Olhos indecisos de vêem e se ajoelham diante de um desconhecido.

No meio do sermão daquele velho incógnito, eles se voltaram e ele pergunta: Será que vai dar certo?, e ela: Acho que não...

As palavras ditas naquele momento pouco importavam para eles, mas uma frase chamou a atenção: Fale agora ou cale-se para sempre. Foi quando os dois deram um longo suspiro, se levantaram e foram embora.

sábado, 27 de setembro de 2008

Interrogatórios

Entendo que quando uma pessoa quer te conhecer ela faça perguntas sobre você, mas para tudo tem um limite.

Era a primeira vez que conhecia um carinha e como não sou das pessoas mais acessíveis num primeiro momento, não deixei que a barreira fosse transposta tão facilmente – afinal de contas, gosto de preservar meu espaço e que o mesmo seja respeitado. Mas o distinto rapaz não obedeceu muito e, sem titubear, começou um interrogatório:
- Você está brava?
- Não! E porque estaria?
- Sei lá, está calada...
- Não sou de falar muito com as pessoas que nem conheço direito.
- Nossa, pra que esse mal humor?
- E quem disse que eu sou mal humorada? Só sou séria! Não posso?

Caramba, é difícil pra um ser humano entender que se você não está a fim de papo?

Por uma coincidência reencontrei o moço na semana seguinte, numa ocasião que não estava tão cansada como antes e que a proposta de uma baladinha até que era bem vinda.

Na dita baladinha, conversamos. Conheci um tanto melhor o rapaz e ele nem fez as mesmas perguntas irritantes:
- Qual seu telefone?
- Se é pra me ligar eu dou, se é pra ser só gentil, esquece!
- Se estou pedindo seu telefone é porque eu vou te ligar.

Três dias depois, ele me ligou. Nos encontramos, e a conversa acabou rolando, quer dizer, um novo interrogatório:
- Você já se apaixonou?
- Claro que sim! Que mulher nunca se apaixonou?
- Você ainda tem contato com ele?
- Não muito. Mas porque você está me perguntando isso?
- É porque eu ainda tenho contato com a minha ex.
- E?
- Eu tenho um filho com ela.
- Ahn?

Não demonstrei meu abalo e usei meu jogo de cintura para mudar o rumo daquela prosa. Ficamos de nos falar nos próximos dias.

Próximos dias pra mim, são uns três ou quatro dias, mas para ele foram uns dez. Como temos amigos em comum, acabei sendo convidada para uma pizza em sua casa. Depois da pizza, outra sessão de perguntas, mas dessa vez, sem nenhuma resposta da minha parte:
- Como você vai embora? Vai chamar um taxi ou vai pega-lo na rua?

Peraí! Pára o bonde que eu quero descer! Peguei o número do rádio-taxi, minhas coisas e rumei pra porta sem pronunciar uma palavra.

Indignada nem esperava um novo telefonema ou um novo encontro. Só que por acaso o encontrei num jogo de futebol, onde fui prestigiar uns amigos meus e tomar umas cervejas sem compromisso.

No final do jogo reparo que o cara estava lá e me aborda:
- Tudo bem?
- Tudo ótimo!
- O que você tem?
- Frio!
- Você está estranha...

Nem continuei... já era tarde, fazia um frio dos diabos e mesmo assim os mosquitos teimavam em querer meu sangue.

Quando já estava em casa, meu telefone toca.
- Posso ir à sua casa?
- Faz o que você quiser. Pouco tempo depois ele estava na porta, tocando a campainha.
- Você está brava comigo?
- Brava? Não! Como você ficaria se você fosse à casa de uma pessoa que você quer estar junto e ela te pergunta como ela voltará para seu devido lar?
- Acho que eu te devo desculpas.
- Se você acha isso...
- Você conheceu alguém?
- Não é da sua conta!

Já não estava muito empolgada com aquele incansável jogo de perguntas e respostas, mas num sábado, meu telefone volta a tocar:
- O que você está fazendo?
- Nada.
- Vamos nos ver? Pode vir pra minha casa?
- Vem pra minha você!

Uma disputa de quem vai pra casa de quem é travada, mas sou vencida pelo cansaço. Chego à casa do rapaz já tarde e, sem pestanejar, ele inicia outro enfadonho interrogatório:
- Por que você não fala o que sente?
- Porque sempre que eu falo tudo que sinto acabo me machucando de alguma maneira. Fora que prefiro agir mais e falar menos.
- Você está dizendo que eu tenho que fazer mais?
- Não, estou falando que eu faço mais que falar.
- Ahn... (silêncio) Por que você é tão rancorosa?
- Você acha que se eu fosse rancorosa eu pegaria um taxi e viria pra sua casa tarde da noite? – Sem esperar a resposta, peguei minha bolsa e fui embora.

Adoro conversar, conhecer gente nova e até ficar com gente interessante, mas enfrentar interrogatórios a cada encontro e ainda ouvir desaforo, já é demais!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Da série "O que estou fazendo aqui": parte 4

Preciso dizer alguma coisa?
O que eu estou fazendo aqui no México, vendo homens feios a cada quarteirão?
Porque não estou no Rio de Janeiro curtindo uma praia e ainda desfrutando de uma bela paisagem?
Por vezes tenho certeza de que sou mesmo uma loser e que o Rio de Janeiro esteve mais lindo que nunca!

domingo, 7 de setembro de 2008

É a vez da jaguatirica

Muitos devem se lembrar da “Desculpa do tatu”, onde um cara deu a desculpa esfarrapada de que tinha um tatu debaixo do carro dele e que, por isso, não poderia me ver. E não é que esse bendido cara não reapareceu do nada na minha vida na minha passagem por São Paulo?

Estava eu na fila do DETRAN a fim de tirar minhas dúvidas sobre a renovação da minha habilitação e sou tocada por alguém, olho pra trás e quem é? Sim, era ele! Tantos lugares para reencontrá-lo e eu o reencontro bem no lugar mais inusitado.

Depois de respondidas minhas perguntas burocráticas, vou ao encontro do rapaz que me esperava na porta do prédio, como sempre simpático e sorridente. Conversamos sobre nossas viagens e como iam nossas vidas desde quando o tatu atravessou nosso caminho.

Conversa vai, conversa vem e resolvemos sair daquele ambiente cinza e frio do DETRAN e vamos a caminho o Obelisco do Ibirapuera, temas são alterados e aconteceu uma coisa que eu nem esperava que fosse acontecer de novo: a gente se beija. Como sempre, os beijos e os abraços dados em plena na via pública de grande movimento são bons, mas não tem o mesmo sabor de antes. (Efeito tatu, será?)

Continuamos conversando abraçados, mas de repente, ele me pergunta:
- Porque você nunca mais me ligou?
- Pra quê? Pra você dizer que tem que salvar uma jaguatirica?
- Você não engoliu a história do tatu, né?, mas foi verdade!
- Sei... sei...

Minha indiferença continuou mesmo com tantos beijos e abraços. Num dado momento, ele dispara:
- Já sei! Vamos comer num japonês esse final de semana.
- Duvido! Você só fala, não faz nada!
- Sábado de tarde a gente vai à Liberdade, come uma comida gostosa e se curte um monte.
- Tá bom, vou fingir que acredito que você vai me ligar. Aposto que uma jaguatirica terá que ser salva!
- Tá duvidando de mim? Espere pra ver! Sábado de manhã eu te ligo pra dizer que horas eu passo na sua casa.
- Tudo bem, nem vou esperar.

Ainda bem que não esperei. Saí durante todo o sábado e curti minha cidade. Não comi nenhum temaki, sushi ou coisa do gênero, pois garanto que uma jaguatirica ou uma capivara precisaram ser salvas pelo distinto rapaz.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Pensata

Começa a entardecer e ela precisa se refugiar. Esconde-se no meio do emaranhado de prédios desconhecidos e acende um cigarro. Seu refúgio são seus pensamentos, pensamentos estes que pairam pelo que ela mais questiona. Por quê? E começa a divagar...

Lembra de todos que foram um dia importantes para ela, daqueles que se importavam com ela, e até daqueles que nunca importaram tanta coisa.

Recorda de tantas elas-mesma que teve que ser para agradar e não ficar sozinha e chega a pensar que desde o momento que ela decidiu ser ela-mesma, está sozinha. Será que a autenticidade seria um empecilho para ela ter alguém que se importasse com ela?

Passam pela sua mente os momentos que marcaram sua vida, momentos estes proporcionados por tantos que ora fazem parte do seu cotidiano ora apenas das suas recordações.

Enaltece todos aqueles que fizeram parte da sua vida: desde aqueles que marcaram sua vida por anos, por meses, por dias, ou por horas, de diversas nacionalidades, de distintos trejeitos, de dúbias personalidades, de diferentes maneiras de ver a vida.

Com um trago ela deixa o passado e se recorda do presente, um presente cheio de desejos e aspirações, um presente repleto de propostas e promessas, mas sem nenhuma realização. Concentra-se naqueles que podem significar algum motivo de nostalgia futura, igual à que tem agora com outros do passado. Porém estes são tão iguais ou piores que aqueles que já marcaram sua vida; ou se importaram demais com ela, ou quase nada, ou nenhum pouco, os problemas nem sempre são os mesmos, mas impedem que façam dela uma mulher feliz.

Outro trago, agora ela não pensa em nada, apenas repara num círculo formado pela fumaça. Quem estaria pensando nela?

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Um leque de possibilidades e um objetivo

Todos sabemos que a vida é cheia de oportunidades e com ela não era diferente. Um verdadeiro leque de possibilidades amorosas se abria a cada lugar que ela ia. Poderia ser um músico, um dono de balada, um boy-band, um ator, um modelo qualquer – tanto que até ela se espantava com tais opções. Mas quanto mais o tempo passava, mais ela percebia que tudo aquilo não daria em nada; seriam relacionamentos tão fugazes como a rapidez com que ela os conhecera.

Conforme o tempo ia passando ela reparava que seu parceiro pra vida toda não estaria em casa noturna ou em um teste cotidiano, mas sim longe, há muitos quilômetros, no meio de uma selva de pedra ou de uma selva propriamente dita. E a única coisa que poderia unir-los era a conectividade, e era isso que eles faziam sempre que podiam: ficavam juntos.

Não importava onde estavam, poderia estar ela entre o Atlântico e o Pacífico e ele no meio da Amazônia que eles se encontravam e com alguns toques no teclado eram felizes.

Eram nesses curtos e inesquecíveis momentos que a única intenção dos dois era atingir o ponto máximo da felicidade, dirigindo cada palavra digitada e cada sorriso via webcam com todo afeto e carinho só um contato direto pode oferecer.

A cada encontro o sentimento se tornava tamanho que pouco importava a vida real. O que eles queriam era viver naquele mundo virtual pela vida inteira. Naquele mundo que eles viviam não existiam relacionamentos desgastados, nem perrengues de trabalho, muito menos um leque de possibilidades amorosas; um era suficiente para o outro e isso bastava.

Com ele sim é que ela era feliz, pois não tinha que enfrentar a realidade; a realidade de uma mulher por vezes rejeitada, outras esquecida. Uma mulher que queria apenas ser feliz e ser especial para alguém que ela também julgasse especial.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Lágrimas

Lágrimas no avião durante minha primeira vinda ao desconhecido
Lágrimas no travesseiro de saudades do meu travesseiro
Lágrimas na rua, voltando da academia, ao descobrir que engordei, mesmo suando que nem uma porca
Lágrimas ao chegar em casa e perceber que aquela não é minha casa
Lágrimas no banheiro do aeroporto depois de ser dispensada por um modelo que acha que Turquia é na Europa
Lágrimas ao telefone ao dar feliz aniversário pra alguém que está distante
Lágrimas ao recordar momentos felizes passados, que você tem certeza que poderá revivê-los
Lágrimas na varanda, pois o aperto no peito é tão forte e sem explicação que não se consegue controlar a dor
Lágrimas no ombro do seu pai ao reparar que mesmo depois de tantas lágrimas, você tem um porto seguro: sua casa, sua família, seus amigos – que nunca te abandonarão.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Engracado

É engacado... depois de quase cinco anos sem estar junto do homem que um dia pensei que era o homem da minha vida, continuo a me questionar se ainda ele é o homem da minha vida.

Passamos por muitos perrengues, namorei pessoas erradas e ele continua com a mesma errada (na minha singela opiniao...)

Olho suas fotos atuais e vejo uma menina bonitinha, mas sei que ao meu lado seríamos bem mais lindos se estivéssemos juntos até hoje.

Sei que fiz muitas coisas erradas, na opiniao, desde aquele dia que o abandonei, mas vejo suas fotos atuais e vejo um homem muito mais feliz se estivesse ao meu lado.

Sei que mudei completamente de ares depois que renunciei à alegria de estar com o homem da minha vida por conta de sonhos e de uma vida incerta, nos seus vinte anos iniciais.

Nao sei o que pensar quando falo com minha querida máe e ela me diz que só teve um homem e paixao de sua vida - a paixao de sua vida, foi meu pai, e o homem da sua vida foi o homem que ela sempre amou, mesmo à distancia, e que até hoje está nos seus pensamentos mais singelos ou nos mais distantes... assim como os que tenho agora.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Esse mundo virtual...

Já faço parte desse mundo virtual faz um tempinho: MSN, Orkut, Facebook, YouTube, Blog, Fotolog, enfim, vários meios, mas nunca tinha descoberto as coisas boas que uma conversa via web-cam pode nos ofertar.

É ótimo falar com familiares, amigos e também com aqueles amigos que você sempre falou, mas nunca conheceu. Sim, os amigos virtuais! E eu tenho um amigo-virtual.

“Conheci” esse meu amigo através do Orkut. Fuçando a página de um colega de colegial acabei encontrando essa pessoa. Minha primeira impressão do rapaz foi: “Meu Deus! Ele parece o Gianechinni de olhos verdes!”. Uma coisa de louco, um homem bonito pra valer e quando vejo as fotos do seu álbum confirmo a beleza do rapaz.

Como quem não quer nada, adicionei o moço e pra minha surpresa, ele me manda um e-mail pra saber se eu existia realmente. Sim, eu sou bem real! E a partir daquele momento iniciamos nossa amizade virtual, onde cada um só se conhecia por foto e se falava por MSN.

Estávamos solteiros quando nos conhecemos e cheguei a cogitar a possibilidade de ir até sua cidade-natal ou à cidade onde ele fazia faculdade só para vê-lo pessoalmente. A cogitação foi tanta que consegui ser madrinha da bateria do grêmio acadêmico da faculdade oposta só pra ter um pretexto pra ir ao interior de São Paulo. Infelizmente a falta de dinheiro e um pouco mais de vergonha na cara me fizeram abortar essa missão que desencadearia uma guerra entre universidades.

O tempo passou, os dois começaram a namorar, mas nem por isso a amizade foi deixada de lado. As conversas via internet continuavam, acompanhamos os progressos acadêmicos, intelectuais e pessoais de cada um e ele passou a ser um admirador das coisas que escrevo.

Sempre debatíamos sobre meus escritos e ríamos das coisas que se passavam com os dois: minhas decepções amorosas e suas aventuras no meio do Brasil, mas foi somente da última vez que conversamos foi que descobri a maravilha que é ter uma web-cam durante uma conversa virtual.

Era início de madrugada quando iniciamos nossa prosa. Colocamos nossas novidades em dia: minha ida ao México, meus trabalhos e nossas conquistas. Era inevitável que depois de tanto tempo ele veria novas fotos – coisa que o agradou muito! E pra meu espanto ele inicia uma vídeo-chamada.

Por fim vejo como é o ser humano. Sim, ele também era real! E logo de cara reparo que ele não nega suas raízes: usava uma camiseta de cor duvidosa já carcomida do grêmio da faculdade.

Como toda conversa virtual o tema é alterado mais do que uma conversa tradicional. Ele fala do seu trabalho e eu do quanto sou loser em questão oportunidades amorosas.

Num dado momento fui colocar meu pijama, pois já passavam da uma da manhã, e quando volto ele diz:

- Onde você estava? Ia fazer um stripe-tease pra você!
- Aí, olha como sou loser. Perdi outra oportunidade! (risos)

O papo continua...

- Não fica triste... Vamos começar um jogo: meia direita, meia esquerda ou as duas?

Pensei em todas as possibilidades do que aquelas alternativas poderiam ser. Como amantes de futebol que somos cheguei a pensar em jogadores que atacam por tais lados do campo, como jogadores universitários de handebol, qual era o posicionamento de cada um em quadra. E diante daquela dúvida atroz, escolhi a segunda opção e ele tira sua meia esquerda.

Tenho um ataque de riso na hora e ele diz:

- Agora é a sua vez!
- Meia direita ou meia esquerda?
- As duas!

Tiro minhas duas meias diante da câmera aos risos.

- Nossa, você é sexy até tirando a meia. – e continuamos aquele joguinho... - Agora uma pergunta valendo minha meia direita: qual o nome do conquistador do povo Inca?
- Peraí, eu estava no México, não no Peru! Posso te mostrar quem é um dos nomes que lutaram contra a conquista espanhola que ilustra as notas de cem pesos – e mostro a nota.
- Você acertou! – e ele tira a meia direita. – Agora é a sua vez...
- Escolhe: manga direita ou manga esquerda.
- As duas!

E arregaço as duas mangas do meu pijama sem cessar minha crise de risos.
- Graciosidade até pra arregaçar as mangas! - e continua - Outra pergunta, agora valendo minha camiseta: com quantos paus se faz uma canoa?
- De novo? Eu fiz letras, não engenharia. Posso pedir ajuda aos universitários?
- Pode!
- Universitário X, com quantos paus se faz uma canoa?
- Se for uma canoa de madeira de boa qualidade, somente um!... E então oponente, seu tempo já está se acabando.
- Confio na resposta do universitário.
- Você acertou novamente. Parabéns garotinha! – e ele tira a camiseta. “Pai Amado, onde isso vai parar?” pensava comigo. – Voltamos na sua vez...
- Barra direita ou barra esquerda?
- As duas! E levanto as barras das calças do meu pijama. – Assim eu fico louco!
- Estou começando a achar que você é maluco... As barras da calça?... Só você mesmo.
- Valendo a minha bermuda, vamos à próxima pergunta: Quem escreveu “O sítio do pica-pau amarelo”?
- Preciso mesmo responder?
- Não! – E ele já tira a bermuda.

Minha cara no monitor era de uma pessoa catatônica diante daquela visão, minhas mãos suavam frio, meus olhos estavam arregalados ao ver aquele homem lindo só de cueca. Eu não tinha reação.

- Agora é a sua vez!
- Minha vez o quê? Tá maluco? Você tirou a roupa porque quis e eu estou aqui na minha, contemplativa.

Fiquei mais uns minutos observando aquela cena e minha internet discada caiu. Nem pude me despedir daquele que pela primeira vez fez um streap pra mim.

domingo, 27 de julho de 2008

Fora em uma celebridade

Têm coisas que só acontecem quando estamos em um país estrangeiro, como dar foras em celebridades, afinal de contas, você é de outra nação e nem é obrigada a saber quem são os homens por quem as mulheres babam quando vêem uma novela ou uma revista de fofocas.

Dias atrás fui a uma casa noturna com intuito de prestigiar minhas amigas que iam desfilar e de quebra comer uma coisa gostosa e dançar um pouquinho. Enquanto esperávamos a hora do desfile, estávamos fazendo a social na mesa do restaurante do lugar: cumprimentando pessoas nem sempre agradáveis, bajulando uns insuportáveis e sendo apresentadas a outros que não tínhamos idéia de quem seriam.

Num dado momento apareceu na mesa um homem bem bonito, mas sem simancol, amigo do dono da minha agência que o convidou a se sentar do meu lado, assim, eu fiquei bem no meio dos dois (Que situação… amarrei a cara na hora!).

O distinto nada-cavalheiro puxa uma conversa e, como não posso ser desagradável, dou continuação...

- Você é brasileira?
- Sou sim.
- Há quanto tempo está no México?
- Quatro meses.
- E quais cidades já conheceu? Já foi à Cancun?
- Já fui a algumas cidades, mas Cancun ainda não. Ainda não tive a oportunidade nem o convite.
- Mas você está sendo convidada agora! Vamos para Cancun comigo!
- Epa, peraí! Nem te conheço! Para que iria para Cancun com você!

FORA!

O dono da minha agência me chama e me pergunta:

- E aí? O que achou dele?
- Achei que ele tem saúde. É isso que importa!

FORA!

A conversa na mesa continua, a falsidade está no ar e aquele ambiente artificial perdura.

Depois de uns minutos o tal homem bonito acende um cigarro. Existe no México uma lei que proíbe o fumo em qualquer ambiente fechado. Outro sinal de falta de educação do devido rapaz e pra minha infelicidade a fumaça de seu cigarro vem bem em minha direção e engulo a devida não-matéria junto com meu último sushi – o último seria o mais gostoso... Tenho uma leve tosse e pra demonstrar minha insatisfação com tal ato, pego o cardápio e o abano na minha frente pra afugentar a fumaça que teimava em me perseguir.

- A fumaça te incomoda?

Num outro acesso de tosse e com cara de pouquíssimos amigos, respondo:

- Não! Imagina...

FORA!

- Creio que vou fumar lá fora.
- Agradeço muito!

FORA!

Algumas semanas depois venho saber com uma amiga mexicana quem era o tal cara que recebeu tantos foras da minha parte: trata-se de Leonardo Garcia, um dos atores mais sediados do México, que qualquer mexicana daria o mundo para estar ao lado dele numa mesa ou sua própria vida para ir pra Cancun numa viagem romântica com um dos maiores galãs da TV mexicana. A título de comparação: seria um Paulinho Vilhena na época de pegador.

Na mesma semana que soube que Leonardo Garcia era uma celebridade nacional, o vejo na capa de uma revista de celebridades com a seguinte manchete: Depois de outro relacionamento frustrado, Leonardo Garcia declara: “Estou à procura do verdadeiro amor!”

Ai, querido, enquanto você não souber se portar em uma mesa ou convidar a primeira que vê pela frente pra uma viagem a Cancun, nenhuma mulher que não te conheça será verdadeira contigo...

terça-feira, 22 de julho de 2008

Inventário

Nas últimas três semanas estive na minha cidade natal. Durante minha estada em terras mexicanas, nunca pensei que o amor pelo meu país e por todo seu território fosse tão grande, mas descobri nesta minha visita que a verdadeira riqueza vai além das belezas naturais e das magníficas cores que só existem no Brasil.

Toda esta fortuna está presente nas pessoas que vemos nas ruas e naqueles, especiais, que fazem parte da nossa vida.

Como é bom tomar uma cerveja num boteco qualquer e ver duas garotas descerem a rua num skate ou conversar sobre as maiores barbaridades com seu quase primo, que hoje é um dos seus melhores amigos.

Como é bom dormir no colo da sua mãe enquanto ela faz o cafuné que só ela sabe fazer, ou comer o arroz e feijão que só ela sabe fazer, ou acordar no meio da noite e perceber que o cobertor te cobre daquele jeito que só ela conhece.

Como é bom não idealizar demais as promessas de seqüestro, pois elas sempre acabam em um seqüestro relâmpago fajuto.

Como é bom abraçar seus amigos na sinuca perto da faculdade e debater com os olhos mais lindos que você já viu questões de nenhum interesse nacional e, ainda depois, ser zoada por seus iguais, já que você não tem mais credibilidade perante o grupo, pois ficou com um argentino boy-band detentor de "mulets".

Como é bom ver o São Paulo jogar, gritar gol e, de quebra, tirar uma com a cara do seu eterno companheiro de Morumbi, pois ele caiu nas graças de uma tiazona enxuta.

Como é bom descobrir depois de tantos anos que as amizades virtuais também são reais, mesmo que você só tenha visto seu amigo pela web-cam, mas pelo menos, você sabe que ele existe.

Como é bom estar numa exposição de Machado de Assis e enquanto você está num momento de ápice intelectual-crítico-retórico-literário, repara em dois meninos que flutuam pelo ambiente com seus tênis de rodinhas e com luzes que piscam.

Como é bom encontrar suas amigas pra fofocar e constatar que a fofoca é a maior prova de cumplicidade que pode existir.

Como é bom falar com suas amigas, mesmo que seja pelo telefone, e sentir que aquele abraço apertado e sincero é capaz de extravasar os cabos telefônicos.

Como é bom fazer aniversário e estar entre os seus, pois é nesses momentos que você descobre que foi importante na vida de algumas pessoas e que elas são muito importantes pra você – estão presentes familiares próximos e distantes, amigos de todas as fases da sua vida, até ex-namorados ou ex-ficantes, mas nunca ex-amigos. É com essas pessoas que você descobre que o carinho é o melhor sentimento que você pode nutrir por alguém, pois ele nunca se esgota.

Como é bom estar em casa e saber que aqui é o meu lugar e que é aqui, no Brasil, que estão as coisas, as pessoas, as situações, as cores que te fazem sorrir e que dão aquela motivaçãozinha que só o ambiente de casa sabe dar.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Coisas que fazem um bem danado

É bom quando a gente recebe coisas como esta, que nos fazem crer que estar longe nem é de todo ruim, pois temos a certeza de que há pessoas que nos admiram, gostam de nós e sentem nossa falta.

Julho, chega logo
E o Brasil, é logo aqui !
Voa logo saudade.
A passagem espera
Força bela !
A torcida supera, a torcida supera.


É como diz minha máe, a saudade é a lembrança de alguma coisa muito boa do nosso passado, por isso, ela nunca é ruim senti-la.

Obrigada aos meus amigos de verdade! Amo vocês!

sábado, 10 de maio de 2008

Coisas que emocionam

Pode até parecer bobagem, mas este comercial foi um dos poucos que me emocionaram realmente nos últimos anos.

Ñ sei se este comercial está sendo veiculado no Brasil, mas ao vê-lo, me emocionei, ñ ao ponto de chorar, mas de arrepiar todos os pêlos do corpo, da ponta do pé até o couro cabeludo, passando pelas pernas, coxas e braços e até a espinha.

Minhas sensaçóes foram um misto de saudade de casa (ir ao estádio ver meu Sáo Paulo jogar) e minha paixáo incondicional pelo futebol (como meus amigos costumam dizer, sou uma das poucas mulheres que conversa sobre futebol de forma embasada e crítica; uma mulher que assiste a jogos de futebol pelo simples fato de ser futebol; uma mulher que sabe que no tempo seguinte os times trocam de lado e que entende como funciona a linha de impedimento).

Num mundo publicitário que produz tantas coisas inúteis, fico contente de me deparar com resultados de tanto êxito!

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Uma aventura no metrô

Os dias váo passando e vou elegendo os lugares que me sindo verdadeiramente em casa; e o metrô é um deles.

Com seu ambiente sem ventilaçáo, quente, as pessoas sempre em movimento, os vagóes sempre povoados de vendedores e pedintes e aquele vento que sopra quando o trem parte, sem contar o barulho nos trilhos quando o trem está chegando me remetem à minha cidade sempre querida, mas só agora, de longe, táo reconhecida.

Outro dia estava no metrö indo para um lugar bem longe: perto do Estádio Asteca. Para chegar ao tal lugar tive que fazer baldeaçóes e ainda pegar o trem ligeiro, o equivalente ao trem da CPTM (bem parecido mesmo!). Porém o mais interessante dessa viagem náo foi perceber o quanto o México é parecido com Sáo Paulo, mas sim a riqueza cultural que este país tem e que poucas pessoas notam.

No meio de uma relativa muvuca no vagáo, reparo em um casal de mexicanos que deveriam ter seus 60 anos de idade e uma vida inteira juntos. Eles eram a personificaçáo do povo que aqui me acolheu: tímidos, cabisbaixos, porém com seus olhares muito simpáticos; a mulher com suas tranças e o homem com seus bigodes.

Náo conseguia deixar de olhar para eles. Via naqueles olhos a cumplicidade de décadas de convivência e as máos dadas num emaranhar de dedos calejados e delicados, evidenciavam um carinho e um respeito táo perdidos em tempos de hoje.

Cheguei a pensar em registrar aquele momento com uma imagem fotográfica, mas prefiro eternizá-los em minha mente, nas minhas lembranças e nas minhas palavras.

sábado, 26 de abril de 2008

Felicidades

Feliz aniversário!

Cada dia que passo longe de você percebo o quanto você é importante na minha vida e confirmo que a saudade é a constataçáo de que temos algo muito maravilhoso em nossa vida que vale a pena ser lembrado sempre.

Sempre ele

Ñ adianta! Mudei até de país, mas sigo acompanhando cada jogo, cada jogada, cada passo dele!

Depois de mais de dois meses de mudança de ares, constato que viver de uma ilusáo romântica é a melhor forma de sobreviver à carência que sinto aqui...

Crédito: Globoesporte.com

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Mais além

Gosto dos adeptos da filosofia da mente sã em um corpo são, não da mente oca num corpo sarado.
Gosto das pessoas com conteúdo; com quem posso conversar sobre filosofia e política, futebol e fotografia, novelas e mais-valia.
Gosto de piadas com fundamento psicológico, ou até sem fundamento, mas que simplismente me façam rir.
Gosto mesmo é da barriga de cerveja, cortada por cirurgia, não por horas na academia.
Gosto dos amantes das pequenas coisas, daqueles que são como eu e que me amam pelo simples fato de eu ser o que sou, não como aparento ser.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Ravel no metrô

Era sábado à tarde; um dia atípico onde tive que rumar para um lugar ainda desconhecido com intuito de conseguir mais um trabalho que ajude a tecer meu pé de meia.

Para não ser ludibriada por nenhum taxista, pego o metrô com destino a uma estação longínqua. Tudo seguia seu rumo habitual: o vagão cheio, o ambiente abafado, como na minha cidade natal, porém algo me surpreende: um homem com seus quase 30 anos entra no vagão com sua flauta. Já espantada com aquela cena, passo a observá-lo um pouco mais. De repente, ele assovia e dedilha uma melodia: Bolero de Ravel!

A pele passa a parecer um frango depenado de tantos arrepios de emoção, o queixo treme e os olhos enchem de lágrimas. As recordações pulsam no mesmo ritmo do coração acelerado, que remetem à mesma pessoa.

A primeira vez que ouvira aquela música fora ha mais de dez anos, quando no meio da turbulência familiar, a obra prima de Ravel era a única coisa que acalmava os ânimos domésticos e a última foi sobre a regência de John Neschling assistindo à Sinfônica de São Paulo ecoar cada nota pelo vasto parque Villa-Lobos, onde duas mãos dadas se apertavam de carinho e comoção e os olhos marejados consagravam a admiração por aquelas repetições tão bem harmonizadas.

Ao ouvir o moço não pude deixar de recordar as aulas de Phillipe Willemart e das memórias involuntárias que a Sonata de Venteuil provocavam em Marcel, personagem de Proust em sua Em Busca do Tempo Perdido, mas principalmente não pude deixar de lembrar da minha mãe.

sábado, 19 de abril de 2008

Outra conversa virtual

- oi linda!
- hey! como estás?
- bem! se habituando com o ambiente mexicano?
- sim, aos poucos
- que bom! tá conseguindo manter a calma?
- ás vezes fico p* com algumas coisas, mas nem encano mais tanto com tudo
- que bom!
- acho que aprendi alguma coisa com vc.
- se ficar nervosa com tudo, vc nao chega a lugar algum
- vc tem razao!
(...)
- sábado é meu aniversário!
- eu sei! vc acha que eu iria esquecer?
- hahaha, linda!
- e vai ter festa?
- churras, normal!
- vc estará na internet pra eu poder te mandar parabéns?
- sim!
- Poxa, mas queria te ligar, ouvir sua voz. Pela internet ñ é a mesma coisa. Só que ñ tenho seu número.
- X4X4X4XX
- tá anotado. Seu número é o único número a ñ ser da minha casa q ñ é mexicano! Vou te ligar! Ñ se assuste com um número bizarro q sou eu!
- vou adorar falar com vc!
- eu tb! ai de ti se ñ me atender!
- isso nao vai acontecer.
- ai caramba! Pior disso é q terei q pedir um telefone emprestado pra alguém, só pra falar com vc!
- linda! linda!
- :)

(Felicidades, lindo!)

Uma conversa virtual

- hey! como vc está?
- bem! e vc?
- bem tb. A saudade tá batendo forte, mas nada que as boas recordacoes ñ acalmem...
- tb estou com saudades...
- nossa, sinto falta de tanta coisa...
- eu sinto falta de vc! As cervejadas de sexta nunca foram mais as mesmas
- sério q eu faco falta?
- muita!
- eu sinto falta do amendoim colorido, da cerveja gelada tomada no copo americano, numa mesa de ferro na calcada de um boteco qq numa noite abafada de verao...
- pouts... isso é muito bom!
(...)
- vc sabe quando volta?
- ainda ñ sei. Estou gostando daqui. Creio q farei uma visita. Posso te visitar?
- claro!
- mas será outra estacao. ñ vai dar pra ficar no sereno paulistano
- nos esquentamos.
- hum... assim eu volto antes...
- quando vc voltar eu vou te sequestrar
- e vai cobrar qto de resgate?
- uma noite inteira!
- mas só uma noite inteira?
- 2, 3, 4... uma semana. Quem sabe a vida inteira?

terça-feira, 11 de março de 2008

Os Mexicanos

Estou ha mais de 3 semanas no Mexico e ja passei por alguns perrengues com os mexicanos.
Confesso que a ultima coisa que esperava era trombar com o Hector Bonilha ou Gael Garcia Bernal, mas as coisas que tenho que enfrentar aqui exigem um grau a mais de jogo de cintura - deveria ter trazido o bambole que meus queridos da FFLCH deixaram na portaria antes de eu embarcar!, assim vinha me exercitando no aviao mesmo...
Alias, minha primeira, digamos, experiencia com os mexicanos foi logo na entrevista de imigracao. Estava em uma fila mais que enorme e quando chegou a minha vez, a fila parou! Do nada apareceram tres agentes da imigracao pra fazer a bendita entrevista comigo. Ficaram aqueles tres tapados olhando pra minha cara e pedindo minhas fotos de trabalho; ainda bem que todos essas coisas estavam na mala despachada, dessa forma consegui me livrar de tal momento importuno, mesmo com meu espanhol ainda parco.
Outra vez que tive que rebolar pra sair de uma situacao nada agradavel foi logo no meu segundo dia de Mexico! Eu tinha que imprimir minhas fotos (modelo sem fotos nao eh modelo, nem muito menos trabalha!). Fui encaminhada pra uma casas dessas de fotografia que poderia imprimir minhas fotos num papel de boa qualidade e assim o fiz, mas essas coisas demoram e conversar com os atendentes do local era inevitavel, mesmo que ao meu contra gosto. No meio de um papo sem pe nem cabeca, sou questionada:
- Te gusta Mexico?
- Hasta ahora si!
- Y de los mexicanos?
- Hasta ahora no! - de cara muito amarrada!
Naquela hora constatei que a massa masculina mexicana nao toma Simancol, este remedio tao essencial para a raca humana.
Dai por diante reparei no quanto os homens desta terra sao tao mal educados e tarados; parece que nunca viram mulher na vida! Voce passa na rua, e alem de ouvir assobios, eh obrigada a ouvir os grunhidos mais absurdos, primatas e impossiveis de serem narrados.
Minha sorte eh que alem de perceber essas coisas, eu tambem enriqueci meu espanhol e aos poucos vou dando minhas patadas nada delicadas nesses mexicanos safados.
A primeira foi uma semana depois da minha vinda e ha uma semana atras. Estava num taxi voltando do aeroporto e o motorista do taxi me faz a mesma sequencia de perguntas:
- Te gusta Mexico?
- Mucho! Penso en me quedar por aqui!
- Y de los mexicanos?
- No, no me gustam en nada!
- Pero, porque?
- Porque la educacion no es la grande qualidad de los mexicanos y, para mi, todos los hombres tienen que tener educacion!
Acho que nem fui estupida, mas sei que o motorista do taxi se manteve calado pelo resto do trajeto.
Mas nem tudo sao espinhos nas minhas investidas mexicanas. Tudo bem que ainda nao conheci o Gael, mas ja sei onde ele mora, e pra meu alivio, nem todos os mexicanos sao escrotos. Existem uns poucos que sabem ser gentis, simpaticos e educados, que te dao flores pelo simples ato de presentear uma mulher, que te acompanham no Red Bull com vodca pra aguentar a balada, te levam pina colada aonde quer voce esteja e pedem pro motorista te levar em casa quando voce ja esta podre de tanto dancar e nao consegue mais nem chamar o taxi.

quinta-feira, 6 de março de 2008

No Mexico...

Do que eu gosto Mexico...
- da forma que o meu cabelo fica aqui... lisinho, lisinho
- das pessoas que encontrei e que aos poucos estou aprendendo a conquistar
- de entrar nas casas noturnas sem pagar
- dos (poucos) homens educados
- das praias do Pacifico (que conheci) e das do Atlantico (que ainda nem visitei, mas ja gosto)
- de que o metro va para quase todos os cantos da cidade
- do meu apartamento (que nem eh meu...)
- de ter sempre coisas pra fazer... testes, gente nova pra conhecer e lugares novos para visitar
- do povo bem caracteristico, de suas mulheres com suas trancas e saiotes e dos homens com seus grandes bigodes e chapeus.

Do que eu nao gosto no Mexico...
- da forma com que os homens nos importunam. Nao importa se eh numa rua financeira ou em frente de uma obra, voce sempre ouve um "fui-fui"
- do eterno cheiro de milho das tortilhas em qualquer esquina
- de nao comer arroz e feijao junto (aqui se come separado... saudades do arroz e feijao de mamae...)
- do meu nariz sangrando todo dia quando acordo
- do transito que eh mais caotico que em Sao Paulo
- das pessoas que nunca sabem o melhor caminho para chegar a um lugar e muito menos a rua onde estao!

Do que eu sinto falta no Mexico...
- dos meus amigos
- de sentar em qualquer calcada, pedir uma cerveja e comentar uma asneira qualquer com as pessoas que amo
- da minha familia
- de ir em um shopping e encontrar alguem conhecido, mesmo que seja a distancia
- de rirem das minhas piadas ridiculas (aqui poucas pessoas as entendem)
- de beber e dancar ate me acabar (pisar e sambar em cima da jaca) pois sei que no Brasil alguem cuidara de mim...
- de conhecer quase todas as ruas da cidade e chegar a qualquer lugar sem depender de informacoes
- da minha cama
- do meu travesseiro
- do meu sofa
- da minha TV que nao tem todos os canais em espanhol
- dos meus dias de introspeccao, que aqui sao reduzidos a momentos
- dos treinos e jogos de handebol
- do meu pai
- das brigas entre o Fabio e a Dona Cleusa
- da minha mae...

Mas mesmo assim, penso em me "quedar" por aqui por muito tempo, pois estou adorando toda essa loucura de novas experiencias e emocoes, ate entao, tao desconhecidas para mim.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

A torcida e o time

O time entrou em campo quem ñ queria nada e em poucos minutos de jogo já marcou seu gol.

A torcida que via aquele jogo muito descrente, pensou que com aquele gol o resultado seria positivo e que dalí sairiam muitos gols.

No final do primeiro tempo o time marcou novamente, e um gol tao significativo quanto o primeiro.

Neste momento a torcida via que como grande a possibilidade de vários outros belos gols, mesmo com apenas pouco tempo faltando.

O desejo de mais gols era latente, a torcida clamava, pedia, mas os lances nem acabavam na trave, o time ñ chegava ao ataque, apenas trabalhava a bola no meio de campo, cozinhando a torcida até os minutos finais.

Ao final do jogo, a torcida viu uma grande chance de gol, porém a bola foi para linha de fundo: mais uma bola fora!, daquele time que tanto pretendia, nada fazia e tantas esperancas dava.

No último minuto, a torcida ameacava ir embora, mas ainda esperava um novo lance, e esse saiu pela tangente novamente.

Desiludida, a torcida foi embora do estádio (para um dia voltar) mas magoada com a atitude desportiva do seu time do momento, que demonstrou tantas alegrias no primeiro tempo e tantas decepçoes depois...

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Noticias mexicanas

Povo querido, estou aqui em informe extraordiàrio para informar que cheguei bem e estou bem tambem.
Depois de uma viagem bem turbulenda (a estrada de Sao Paulo à Cidade do Mexico è bem esburacada; o aviao tremeu um monte) estou instalada em terras mexicanas.
Desde o dia de hoje moro num apartamento novinho, que ainda precisa daquele carinho para ficar com cara de casa. Moro com uma menina do Rio, chamada Bruna. Assim como eu, ela è recèm-chegada à cidade e està aqui a apenas 5 dias.
Impressoes iniciais: que lugar seco! Nunca senti minha pele tao resseca. Mas nada que o tempo de adaptacao ñ cure...
Segue meu novo endereco: Rio Beserra, 924 apto 301. Colonia Napoles
Aviso à familia e amigos sempre queridos que estou bem. Ñ hà motivo para panico!
Em breve terei um celular e os canais de comunicacao orkuteanos, msn e e-mail ainda estao abertos.
Beijos à todos

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Homem Freak-Show ou Pêlos, às vezes é bom tê-los

Escrevi este texto anteriormente no blog Homerengas, que compartilhava a autoria com mais três amigas minhas. Como esta narrativa foi escrita a quatro mãos, me furtei de colocá-lo aqui, porém o personagem principal desta história reapareceu na minha vida e não podia deixar de "homenageá-lo".

Não, eu não fiquei com ele! Mas aconteceu aquelas coincidências típicas do mundo pequeno, a famosa teoria de que existem seis pessoas no planeta e que o resto é tudo figurante.

Fazia um tempo que eu ficava com um cara do meu trabalho. Ele era um fofo, gostoso, atencioso, mas mal sabia eu que ele tinha um defeito – e que defeito: era noivo! E pra minha maior surpresa, ia se casar em pouco tempo. Fiquei indignada quando soube do fato e fiquei mais puta ainda quando recebo um convite para o devido casamento. Que cara de pau!

Para provar pro cara e pra mim mesma que era superior, resolvi ir à cerimônia, mas com quem? A companhia feminina era garantida, já que a maioria das minhas colegas de trabalho também foram convidadas, mas eu era - pra minha surpresa – amante do noivo. Não poderia ir sem um acompanhante do sexo masculino.

Daí a odisséia: ligar para todos os homens da minha agenda de telefones que topariam fazer um teatrinho e causar ciúmes naquele canalha que tanto mentiu pra mim. Nada! Por que nessas horas todos têm compromissos, namoradas ou namorados? Tive que recorrer à ajuda das amigas de verdade, que sempre têm uma solução pra dar, e a solução encontrada foi o primo de uma grande amiga.

O cara era gente boa, simpático e não fazia feio (de terno, todo homem é bonito), e topou me acompanhar naquela cerimônia onde eu tinha que sair por cima da carne seca de salto alto.

Nos encontramos nas imediações do salão de festas e ele encenou muito bem. Dançou comigo, foi super delicado, um cavalheiro e ainda ficou ao meu lado na hora de cumprimentar os noivos, dando pinta de que estávamos juntos e até apaixonadinhos. Na hora vi a cara de indignação do noivo... hum... a vingança tem um sabor gostoso...

Mas festa de casamento é aquela coisa: sempre acontece algo que nos surpreende. E o que me surpreendeu foi o um teor a mais de álcool no meu sangue que fez com que eu beijasse o grande ator daquela noite, o vencedor do Oscar, o primo da minha amiga.

E não é que o mocinho gostou? Ficamos juntos o restante da festa, ele me deixou em casa e ainda me ligou no dia seguinte. Tá certo!,... eu estava carente e com o orgulho ferido, mas ele fez por merecer: foi elegante, gentleman e não era de se jogar fora – dois dias depois do casamento, estávamos namorando.

Nos vimos poucas vezes depois da cerimônia e qualquer oportunidade que tínhamos de nos encontrar era válida: almoço, cinema, só que nada mais íntimo, devido às agendas malucas da nossa rotina. Só algumas semanas depois apareceu uma oportunidade de ficarmos um bom tempo juntos: haveria um evento da minha empresa num hotel fazenda de uma cidade do interior, onde eu tinha que estar presente, mas eu poderia levar um acompanhante. E a primeira pessoa que veio à cabeça para convidar foi meu namorado, claro! Chamei e ele aceitou.

Durante o final de semana poderíamos aproveitar tudo que a hospedagem nos oferecia durante o dia, já que à noite era o período que o evento empresarial era realizado. Chegamos ao hotel, na sexta-feira à noite, podres de cansados, não resistimos, e cada um virou pra um lado e capotou. No sábado, amanhece um dia ensolarado e lindo, que pede: piscina!

Levanto e chamo meu mocinho. Ele diz pra eu ir tomar café que ele logo desce. Faço o que ele manda, mas ele demora e volto ao quarto para chamá-lo novamente. Entro no quarto e vejo a porta do banheiro entreaberta, preocupada, avanço e flagro o rapaz cortando os pêlos do sovaco com uma tesourinha de cortar unha. Não agüento, e disparo:

- O que é isso?
- Odeio pêlos, odeio pêlos! – e continua sua sessão de tosa.

É nesse momento que reparo no espelho seu peito com a pele irritada por uma gilete que acabara de eliminar os pêlos peitorais. Pensei: ahn, tudo bem! Ele deve ser metrossexual; essa coisa tá na moda mesmo... E deixei por isso. Aproveitamos a piscina e todos os banquetes do evento, que terminou relativamente cedo.

O dia acaba e todos vão para seu quartos. É claro que o clima esquenta. Estava carente de carinho masculino e ele também parecia estar afim.

Tudo ia muito bem e bem gostosinho até a hora que eu inventei de avançar o sinal; nessa, o cara também se empolga, tira toda a roupa e se põe na minha frente, completamente nu.

Que horror! Queria soltar os gritos de todos os filmes do Hitchcock quando vi aquilo na minha frente. O cara estava nu e completamente pelado! Pelado, quero dizer: sem pêlos. Ele não raspava os membros inferiores e superiores, mas o membro central, que era o que mais me interessaria naquele momento, ele raspava. Tudo! Parecia o palhaço Carequinha!

Ao ver aquilo, não agüentei e comecei a rir um riso que não dava pra disfarçar. Era um misto de espanto, com decepção, com vontade de chorar. Eu estava de cara com um artista de circo de bizarrices, um verdadeiro homem freak show!

Respirei fundo, tentei recuperar a calma e continuar aquilo que tínhamos começado a fazer antes da minha crise de riso. Continuamos... quer dizer, continuar o quê? No meio da brincadeira, o cara broxa? Ahn não! Pra mim isso já é demais. O que eu estou fazendo aqui?

Estava namorando um cara maluco, completamente depilado e ainda broxa?

Não nos falamos durante toda a viagem de volta e a primeira e última coisa que falamos depois daquele pesadelo foi: não dá mais pra continuar. E o namoro acabou.

Não dava mais pra eu continuar com um cara bizarro, broxa, doido e que tinha o palhaço Carequinha no meio das pernas.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Querer

Quero ser tua loucura,
ser teu itinerário.
Quero comer amendoim colorido,
brindar num copo americano o desconhecido.
Quero entrar no teu carro,
chegar até a lua.
Quero embassar os vidros,
ouvir as cinco badaladas do sino.
Quero a harmonia da respiração ofegante,
constatar o inexperado.
Quero brincar com teus cabelos,
olhar nos teus olhos.
Quero rir de ti,
rir para ti,
rir de nós dois.
Quero não ter sido só mais uma,
não duvidar do que me disseste.
Quero ser tua musa,
motivar teus suspiros e teus versos.
Quero ser teu norte,
quero ter você aqui.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Dois gumes

Quando o homem quer, ele:
- te liga no meio da noite
- pega o carro e ruma pra praia pra te ver
- paga o jantar
- promete mundos e fundos
- manda um bilhete através de um garçom
- compra o maior bicho de pelúcia da casa de brinquedos, mesmo tendo alergia
- sai de uma cidade alagada no meio da tempestade pra te encontrar
- sai correndo no meio do trânsito de retorno do litoral gritando que te ama
- te leva no hospital quando você está com crise de gastrite
- te acompanha naquela comida que ele detesta
- canta: “me aperta, me cheira, me chama de Mon Bijou” quando você está brava com ele
- dança com você a noite toda, mesmo sem saber dançar
- te coloca dentro do carrinho de supermercado e leva você até o carro
- suborna o cantor do barzinho para cantar aquela música e no final ainda toma o microfone e canta só pra você
- escreve cartas (pode ser e-mails, posts em blogs ou testemunhos hoje em dia)
- apresenta você pra mãe, pro pai, pros amigos, pro papagaio...
- disfarça a cara de bunda quando você sai com suas amigas
- compra champagne pra vocês tomarem juntos sem nenhuma ocasião ou data especial
- briga com a família dele pra te proteger
- faz questão de te dar o sobrenome dele
- suporta seu mau humor matinal

Quando o homem não quer, ele:
- inventa as desculpas mais estúpidas do mundo
- fica doente
- vai empinar pipa
- te deixa sozinha naquela festa dos amigos dele que você não suporta
- viaja no carnaval
- descobre que tem um compromisso inadiável
- precisa acompanhar a mãe no mercado
- tem o dom de sumir de repente

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Meus carnavais

Mais um carnaval, e eu novamente não desfilei em escola de samba. Meu sonho de desfilar como passista será adiado para outro carnaval. Porém diferentemente de carnavais passados não viajei, não pulei em nenhum baile carnavalesco trash, muito menos rumei para a praia apinhada de gente mofando na umidade litorânea.

Confesso que morro de saudades dos meus carnavais infantis, onde as matinês do clube da Cidade Ocean faziam a minha alegria.

Este ano foi a mesma coisa de quase sempre: assisti aos desfiles dos grupos especiais tomando cerveja e sambando em frente ao espelho na esperança de um dia sambar para uma bateria inteira.

No entanto, fiz uma coisa diferente: fiz minhas malas! Vou rumar para o desconhecido, onde não tem escola de samba, a cerveja é a tequila, a Cidade Ocean nunca mais será a mesma e a vontade de sambar no carnaval continuará sendo uma vontade.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Meus palhaços

Lendo um dos blogs aqui selecionados, o Homem é tudo palhaço, me deparo com o Dicionário Palhaço e reparo no quanto os palhaços que apareceram e até hoje aparecem na minha vida podem ser classificados nos sábios verbetes.

Fico mais impressionada ainda com o fato de que um único palhaço pode pertencer a várias definições e como esses tipos de palhaço são decorrentes na minha vidinha pacata - acho que eu não aprendo!

Não vou citar nomes, pois sou uma menina educada, mas que dá vontade dá...

Palhaço Eleitoral - Esse só promete! "Vamos casar...", "Vamos ter filhos..." Não preciso dizer que tudo fica somente na promessa. Geralmente eles fogem na hora que o bicho pega.

Palhaço Glenn Close - Tipo perigoso. Depois que você termina com ele, o bruto transforma sua vida num inferno. Faz ameaças, liga pra sua casa de cinco em cinco minutos, tem crises de ciúme...

Palhaço Mestre-Cuca - Sua arte é te cozinhar... ele te deixa em banho-maria, coloca molho, refoga, assa, frita, mas comer que é bom... nada!

Palhaço Milhagem - É um aprendiz de palhaço. Apaixonado, dedicado, mas sempre palhaço. Afinal, homem que é homem é palhaço. Ele acha que relacionamento é como programa de milhagem: para cada dia de bom comportamento, recebe um vale-palhaçada. São bonzinhos, portanto merecem crédito.

Palhaço de Monte Cristo - Ele faz a palhaçada, deixa aquele rastro inacreditável e some. Dias, semanas, meses e até anos depois, reaparece. Às vezes com um novo visual, outras gabando-se por estar "disponível" mais uma vez. Na linha: "ó... se quiser, o bonitão tá aqui...". A volta dos que não foram perde, né? Mais um tipinho sem classificação.

Palhaço Pinóquio - Esse palhaço, por razões que desconhecemos, não pode mentir. Ou não consegue. Ele é suuuuper sincero, suuuuper verdadeiro a níveis que beiram a joselitice. Algo na linha: "olha, eu fiquei com você, você é legal, mas eu tenho que ir pra casa porque tenho uma filha pequena". Sem comentários!

Palhaço Pique Esconde – Ele marca de sair com você e... não aparece! Ele te liga chamando para almoçar e... não aparece! E é claro, sempre desliga o telefone depois do sumiço. Aí ele conta até 100, mil ou cinco mil e como você – óbvio – não o encontra, ele surge, com a maior cara de pau do mundo dizendo “ih... esqueci”.

Palhaço PSDB - Tal e qual o partido, ele está sempre em cima do muro... não sabe se quer, não sabe se não quer, quando quer diz que não, quando não quer diz que sim... não sabe se casa ou se compra uma bicicleta... resumindo: um chato.

Palhaço Repetitivo - Esse é o famoso "tira o som e deixa só a imagem". Quanto mais tempo calado melhor. Tem a péssima mania de cantar mulheres com a mesma cantada e ainda pior, mulheres que se conhecem. Além de repetitivo é burro.

Palhaço Sexo Oral - Promete que vai te comer em pé, deitada e de quatro, narra orgasmos incríveis, diz ser um amante sensacional mas tudo fica por isso mesmo. Muito papo e nada de coito. É uma variação do Palhaço Eleitoral.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Será que uma plástica no cérebro resolveria?

Ângela Bismarchi faz mistério sobre cirurgia plástica nos olhos - ela fez operação para orientalizar os olhos

Depois de 42 cirurgias plásticas que incluem as “básicas” lipoaspirações e silicones, passando pelas esquisitices de furo no queixo e agora a bizarrice de orientalização dos olhos, o que será que Ângela Bismarchi falta fazer? Uma plástica no cérebro?

Logo ela, que se diz modelo e nem beleza tem, pois sua beleza é uma beleza comprada em 42 parcelas... quer dizer, comprada nada, porque quem fez todas as cirurgias dela foram seus maridos. Aliás, ela já matou o primeiro, o cirurgião Otto Bismarchi, agora casou com outro doido que quer usar esse fantoche de mesa cirúrgica como vitrine de suas experiências mirabolantes.

Cada dia que passa a modelo mais parece um Frankestein de tanto remendo nos olhos, bochechas, peitos, bundas e pernas. Não há parte do corpo dela que não seja mexido de alguma forma.

O mais engraçado é que ela só aparece em carnavais; a festa nacional que se orgulha de mostrar a beleza brasileira. E desde quando isso é exemplo de beleza? Uma mulher montada que não reflete a exuberância feminina carnavalesca, que depende de cirurgias plásticas e uma micro tanga purpurinada para estar na mídia que ainda dá espaço para seres desse naipe.

Onde essa mulher vai parar? Será que no meio de tantas intervenções cirúrgicas ninguém reparou que ela precisa de uma intervenção psiquiátrica urgente? Ou será que ela vai recorrer a uma plástica no cérebro pra ver se dá jeito naquilo que ela já nasceu sem?

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

A cena perfeita para a mulher quase feita

Ela era mulher quase feita, estava nos seus 20 poucos anos, seus desejos e algumas aspirações eram fruto de muitos filmes e literaturas bem groselhas vistos nos tempos ociosos da adolescência.

Dentre os mil filmes vistos na solidão da puberdade, um marcou sua vida. Não tinha nenhuma coisa de excepcional, era mais uma película de tema adolescente, daqueles bem açucarados, que pega uma crônica de Shakespeare e a molda para uma linguagem hollywoodiana.

Porém continha uma cena que a tocou. Em seus devaneios românticos ela sonhava com tal prova de amor. Que mulher nunca desejou isso?: o mocinho bad-boy, gatinho, com seus olhinhos pequenos e sorriso sincero, ultrapassando a barreira do ridículo e sendo ele mesmo, cantando uma música só para você com todo mundo vendo e ouvindo.



Até hoje esta mulher em formação ainda deseja que alguém faça isso por ela, nem precisa ser a mesma música, nem subornar o maestro da banda, nem fugir de policiais, o que ela quer mesmo é ser querida por um homem realmente especial.

* Já imaginava escrever este texto há um tempo, mas a morte de Heath Ledger, ator que deu vida a esta cena, me fez publicar este texto também como homenagem.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

No bar e o Mon Bijou

Estávamos conversando sobre assuntos diversos e de repente, não mais do que de repente, como qualquer bate-papo feminino numa mesa de bar, o assunto "homem" é colocado em pauta.

A opinão é unâmine: ele é! Mesmo não tendo nada de muito excepcional: moreno de olhos castanhos comunzinhos, mas mesmo assim ele é. Ele é no simples sentido de ser e isto basta para nós, mulheres loucas e ávidas por um dia chamá-lo de Mon Bijou...

domingo, 20 de janeiro de 2008

A relação dos pequenos prazeres

Era sábado chuvoso e ela não tinha muita coisa pra fazer. Já tinha cansado de esperar o telefone tocar, dormira todo o sono possível, não agüentava mais navegar pela Internet, então resolveu ver “O fabuloso destino de Amélie Poulain” pela enésima vez.

Foi através desse filme que ela percebeu o quanto as coisas simples da vida são importantes. Assim como Amélie, para ela enfiar a mão num saco de grãos, tirar cola seca dos dedos e jogar pedras no lago faziam parte da seleção dos pequenos prazeres da vida que a ajudavam a enganar a solidão.

Quando via o filme outras vezes ela só atentava para os prazeres de Amélie, só que ela nunca tinha feito a sua relação de prazeres minúsculos da vida:

Cheiro de chuva, tirar um pedaço de carne entre os dentes, sentir um vento quente numa tarde de verão, ler na praia, cheiro de grama cortada, comer arroz fresquinho direto da panela com colher, tomar banho de chuva, sonhar que está voando, andar descalça, dançar sem música, mastigar gelo, reparar num belo sorriso, receber cafuné, dormir no ônibus, dirigir sem trânsito, ver um casal de velhinhos, molhar o pão com manteiga no café com leite, aquela pessoa ligar, andar pelada pela sala, reparar que o carro está suado.

Cada um tem sua relação de pequenos prazeres da vida, você já fez a sua?

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Síntese em trechos

Síntese de um momento em trechos escolhidos:

"Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais"
Muito Pouco - Maria Rita

"Porque eu sou feita pro amor
Da cabeça aos pés
E não faço outra coisa
Do que me doar
Se causei alguma dor
Não foi por querer
Nunca tive a intenção
De machucar..."
Rosas - Ana Carolina

"Amor, meu grande amor
Não chegue na hora marcada
Assim como as canções, como as paixões e as palavras...

Me veja nos seus olhos, na minha cara lavada
Me venha sem saber se sou fogo ou se sou água...

Amor, meu grande amor
Me chegue assim bem de repente
Sem nome ou sobrenome
Sem sentir o que não sente...

Que tudo o que ofereço é, meu calor, meu endereço
A vida do teu filho desde o fim, até o começo...

Amor, meu grande amor
Só dure o tempo que mereça
E quando me quiser que seja de qualquer maneira...

Enquanto me tiver
Que eu seja o último e o primeiro
E quando eu te encontrar
Meu grande amor, por favor, me reconheça..."
Amor, meu grande amor - Barão Vermelho

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

A fábula do potro

Ela era uma amazona cansada de montar em burros xucros. Chegou a prometer e a proferir aos sete ventos que só cavalgaria em puros-sangues, mas não deu outra: ela caiu e quebrou a cara, mais uma vez.

Não importava a raça, ela nunca dava sorte: burros xucros eram ignorantes demais e ela não tinha mais paciência com isso; puros-sangues eram muito afetados e exigiam coisas que ela achava dispensável; e os potros eram muito novos e ela sempre teve medo de passeios com eles.

Chegou a dizer que nunca mais montaria num cavalo potro, pois seu último animal desta raça a tinha abandonado no meio do descampado.

Mas ela pagou sua língua pouco tempo depois, pois um potro chamou sua atenção.

Ela se aproximou como quem não quisesse nada - já estava calejada de tantas decepções – e o potro a convidou para um passeio.

Foi tudo no seu tempo exato; logo nos primeiros metros foi constatada a harmonia, e no final a certeza da sintonia entre os dois.

Agora, nesta cavalgada, ela está com medo de cair e quebrar a cara de novo. “Mas é muito bom estar com este potro...”, pensa.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Faço minhas estas palavras

Já questionei a edição deste ano do BBB e no meio de tantas asneiras publicadas pelos sites direcionados à televisão encontrei alguma crítica interessante sobre este tema, que aborda todas as questões que me fiz durante esta primeira semana de exibição do programa.

"Big Brother" é uma coisa gay - de Sérgio Ripardo, editor de Ilustrada da Folha Online, publicado no dia 12 de janeiro

O gay do "Big Brother" precisa ser eliminado o mais rápido possível. Ele se apresenta como psiquiatra. Mas a Associação Brasileira de Psiquiatria já disse que ele não obteve ainda esse título. Ele paquera uma mulher da casa e culpa a "coitada" por confundir as bolas. O personagem enrustido e dissimulado ainda aproveita para estreitar intimidades com os homens desavisados da casa, em banhos coletivos, troca de sabonete, xampu, todos só de sunguinha, com toques nos corpos, engatando papo machão, como falar sobre a loira e a morena do "Tchan" (argh!).

Assim o programa cria uma piada tensa: qual será a reação dos outros após descobrirem que Marcelo é gay? Homofobia, aceitação verdadeira ou tolerância fingida? Claro: é bem possível que toda essa trama seja combinada antes com o diretor do programa. É só reparar nas atuações artificiais e nos diálogos muito redondinhos. Nunca uma armação foi tão mal encenada no horário nobre da TV.

A "coitadinha" do drama gay é Gyselle, que se mostra encantada com o urso ("Você não é gordinho. Você é fofinho", derrete-se). Mas ela não é boba nem ingênua como aparenta. Já participou do reality show francês "Île de La Tentation". Sua função era azarar homens comprometidos, roubar cobertor de orelha das amigas. Até imagino a ordem: "Dá em cima da biba e do emo que eu te arranjo uma vaga em novela."

A edição da Globo aposta no poder de atrair audiência com o gay enrustido e diferente do velho estereótipo da bichinha pintosa ou da maricona com voz de miado de gato. Para o público feminino, o chamariz é a questão: quantas mulheres não se apaixonaram por um homem que era, na verdade, gay?!

Neste sábado, só dava Marcelo no pay-per-view. Ele tomou banho com o simpatizante Luiz Felipe, que já declarou a intenção de posar nu em ereção para a "G", molhou-se também com Rafael, o Alemão bom moço versão cearense, e continua entediando todos com suas experiências na residência de medicina.

Sem mulheres deslumbrantes para ativar o onanismo eletrônico dos rapazes héteros, resta ao "Big Brother" focar nesses draminhas de sexualidade. Na vida real, admitir ver esse programa significa cada vez mais confessar uma falha de escolaridade, passar recibo de fútil, solitário, imaturo, "low class". Nunca deu status para ninguém acompanhar esse programa. Só queima o filme. Fuja de gente viciada nisso. É só perguntar o que melhorou na sua vida em 2007 com o "BBB 7".

Com um homossexual na posição de protagonista, os homens héteros mais conservadores também ficam na dúvida sobre continuar ou não vendo o programa e rejeitam o clima de "Sodoma e Gomorra". Em comentários postados na web, os machões reclamam que as mulheres "têm cara de prostituta de calçada".

Nos blogs gays, o assunto deve dominar como uma praga devido aos apelos carnais. Alguns participantes tentam usar seu corpo como foco de atenção, como Marcos que só anda com os pêlos pubianos à mostra. Já o joguinho psicológico do "psiquiatra sem registro" corre o risco de criar um vilão gay, alguém que faz qualquer coisa para ganhar R$ 1 milhão e ser o novo Jean Wyllys. Vai acabar ganhando um quadro no humorístico "Zorra Total". Olha a faca!!!

domingo, 13 de janeiro de 2008

Manias e (des)controle

Sou uma pessoa que tem várias manias e uma delas é de ter o controle das coisas, saber o que vai acontecer desde o momento que eu saio de casa. Porém nem sempre sou a detentora de tudo que acontece na minha vida. Ainda bem!

O descontrole começou da incerteza se iria sair ou não à noite, mas no final acabei rumando para o centro da cidade para uma simples conversa, despretenciosa, nada mais. Sorte que estava enganada!

Temas amenos e cotidianos são regados à cerveja, os corpos ficam ébrios e bocas acabam se encontrando. O inevitável aconteceu!

E não me arrependo de ter perdido o controle de tudo! Antes, durante, depois e depois, quem sabe?!

Traição inusitada

Infelizmente já sofri muitas traições e de diversos tipos: de amigas, de namorados, da minha própria consciência, mas traição como a última, nunca!

Namorei uma pessoa especial durante mais de um ano (se não fosse especial, não namoraria com ela) e o relacionamento acabou por vários motivos que foram desde o desgaste até a negligência, porém o pior de tudo é descobrir que você foi traída. E tomei conhecimento desta traição após alguns meses do namoro acabado.

Podem falar o que quiserem, mas a função de namorada de músico não é das mais agradáveis. É legal ter o seu nome na guitarra do cara, entrar e beber de graça nos barzinhos que ele toca, conquistar novas amizades (que foram os melhores frutos que colhi no último ano), mas é horrível ter que lidar com pseudo-fãs, horários malucos de ensaios e não poder viajar porque em tal final de semana a banda terá show.

E quando você alia um relacionamento em crise com um namorado-músico indiferente, a coisa tinha que desandar e o rapaz acabou pisando feio na bola.

O namoro já ia de mal à pior fazia um tempo, tínhamos terminado algumas vezes, voltamos, mas nada dava jeito. Eu estava impaciente com o rumo que as coisas estavam tomando e cansada de só eu estar preocupada com o relacionamento, depois de mais um ato de negligência dele, decidi terminar aquilo de uma vez por todas, e dessa vez sem volta!

Liguei pra ele no sábado de manhã dizendo que iria a casa dele pra gente conversar, ele disse que não estaria em casa, pois tinha que ensaiar mais cedo. Na hora questionei:

- Mas o ensaio de vocês é só à tarde! O que você vai fazer lá mais cedo?
- Temos que resolver uns assuntos da banda antes de ensaiar pra valer.

Não sei por que mais aquela explicação não me convenceu. De noite ele me ligou, ignorando o fato de eu querer “discutir a relação” e me intimando para ir a casa dele. Abalada com aquela atitude, acabamos discutindo e o namoro terminou por telefone mesmo.

Mas isso não era nada! Como disse, descobri a traição no meio de uma conversa com uma amiga depois de algum tempo já descomprometida, porém ainda magoada.

Depois de narrar para ela toda a discussão por telefone, a negligência e a falta de carinho do cara, que poderia muito bem esperar um pouco antes de ir para o ensaio e resolver suas pendências musicais, ela dispara:

- Sábado de manhã? Assuntos da banda? Sabe que assuntos eram esses? Antes de ensaiar naquele dia, os meninos ficaram empinando pipa!

Revolta! Indignação! O cara preferiu empinar pipa a ficar comigo? Quantos anos ele tem? Nove?! Pensei que aquele namoro valia alguma coisa pra ele, mas não! Vale menos que algumas folhas de seda, coladas em varetas amarradas com linha. Nunca pensei que uma coisa tão valiosa fosse trocada por outra tão barata.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Uniforme perfeito

Preciso falar alguma coisa? A foto fala por si só. É o uniforme perfeito para este atleta que dispensa comentários - quem me conhece sabe...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Nova edição, a mesma novidade

Marcelo abre o jogo e revela que é gay

Definitivamente esse BBB8 é uma mistura de tudo que já aconteceu nas edições anteriores.

Agora temos um discípulo de Jean Willys, o psiquiatra Marcelo que assumiu sua homossexualidade, atitude louvável e corajosa da parte dele, pois afirmar sua opção num país preconceituoso em rede nacional não deve ser nada fácil.

Mas a questão é: Será que por isso o médico ganhará o grande prêmio? Será que alguma coisa de diferente acontecerá nesta edição que mais parece um remake dos melhores momentos e participantes mais lembrados do reality show?

A notícia que mudará o mundo

"Erika Mader elege botinhas militares como hit para inverno - Atriz circulou em desfile com modelos da nova coleção: 'Adoro verde musgo"

Essa notícia também não vai mudar o mundo que você vive e a roupa que você usa? Quando a primeira massa polar chegar eu vou juntar meus trocadinhos e comprar uma botinha militar e só usar verde musgo porque a Erika Mader adora esta cor.

Fala sério! Quem é Erika Mader? Não passa de uma atriz sem nenhuma expressão, que só tem um sobrenome famoso. Aliás, acho que ser "sem expressão" é herança de família.

Que mundo da moda insano é esse que nos impõe usar coturno e verde musgo? Entraremos em guerra e eu não participei de nenhum motim? Vai todo mundo virar militar e eu ainda não me alistei?

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

O que estou fazendo aqui?

Diego fará tratamento no CCT do São Paulo durante férias
O meio-campista Diego, do Werder Bremen, iniciou nesta segunda-feira um tratamento no Reffis, centro de recuperação física do São Paulo localizado no CCT da Barra Funda. Diego manterá a forma física no atual campeão brasileiro até se reapresentar ao seu time para a seqüência do Campeonato Alemão. O Werder Bremen só volta a atuar pela competição nacional no dia 2 de fevereiro, quando enfrenta o Bochum. O time é o vice-líder do Alemão, atrás apenas do Bayern de Munique. (Matéria publicada no site diego10 no dia 7 de janeiro de 2008)

O que estou fazendo aqui? Hein? Hein? Por que eu também não estou de férias? Por que eu não estou na Barra Funda sendo tiete? Eu te pergunto, pois não sei a resposta.

Será que só agora perceberam isso?

"Big Brother" embriaga participantes para produzir beijos, tombos e vexames

Entra ano sai ano e desde 2001 a TV brasileira é tomada por essa febre que é pior que epidemia.

E toda edição é a mesma coisa: complôs, grupinhos, namoricos, intrigas, a Rede Globo enchendo seu cofrinho de dinheiro e a nossa paciência em ver sempre pessoas sem muito conteúdo tomar conta do horário nobre.

Será que nunca repararam que embriagar os "ingênuos" participantes é a principal tática da emissora dos Marinho?

Desde a primeira edição vemos isso. É dando bebidas alcoólicas para os palhaços do circo do BBB que o programa tem o que ele precisa pra fazer sucesso: brigas, beijos e vexames, ou seja, tudo que a população gosta!

Vale lembrar algumas pérolas: Manuela vomitando dentro de uma abóbora, Sabrina beijando Dhomini, discussões entre Leka e Adriano, brigas entre Diego Alemão e Aílton, tudo isso em festinhas temáticas.

Nessa edição de 2008, que mal começou, logo na primeira festa já temos uma moça bêbada, vários tombos e um começo de relacionamento. Então, o Big Brother chegou ao seu objetivo logo no segundo dia de programa? Sim!!!

Todo o ano é a mesma coisa, só mudam os palhaços, por que o circo é o mesmo e o público não enjoa de ver o mesmo espetáculo de horror.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

O último fora do ano

Estava na praia para me preparar para mais uma passagem de ano. Como já é hábito, rumo para o litoral no dia seguinte ao natal e fico sozinha até chegar alguém para me fazer companhia. Esses momentos de solidão me fazem bem, pois revejo o ano que passou e planejo o ano que está por vir.

Num dado momento, na solidão do apartamento, decido pegar alguns trocados e andar pela praia. No meio da minha caminhada abordo um vendedor de coco e tomo a água olhando para o mar com o sol se pondo. Termino meu momento de contemplação da natureza e prossigo meu passeio.

Não demorou muito e percebi que estava sendo seguida por um ser que parecia meio perdido. Ladrão? Pernas pra que te quero, meus últimos reais ficaram com o cara do coco.

- Posso te conhecer?, fala o carinha
- Não!
- Mas eu andei quase a praia toda atrás de você...
- Andou à toa!
- Nossa! Você gosta de humilhar os homens?
- Não, apenas sou sincera com eles!

Passos em silêncio, ele insiste:

- Você tem namorado?
- Tenho! (com a convicção da convincente mentirosa)

Outros passos mudos. Vendo que aquela investida não teria futuro ele se despede com um tímido “falou”. Acenei com um adeus de miss, continuei meu momento de balanço anual e deixei meus pensamentos fluírem junto com a brisa da praia, deixando o moço falando com o vento.

A nudez do oportunismo

Navegava eu pela Internet e me deparo com a seguinte manchete: “Playboy com ex de Richarlyson nas bancas”, e um questionamento passa a martelar na minha cabeça: E daí? Quem é essa?

Em poucos momentos minhas indagações vão além disso e passo a refletir sobre a questão do nu feminino nas revistas e quem são aqueles que decidem qual é a gostosa da vez.

Não quero aqui levantar nenhuma bandeira feminista ou algo do gênero, muito menos questionar a beleza da moça, quero simplesmente pensar sobre o que vem acontecendo de uns anos pra cá no mercado editorial do nu (dito) artístico no Brasil.

Lembro que antes as edições da revista Playboy eram artigos de colecionador, com mulheres que habitavam o imaginário masculino e a admiração de muitas mulheres. Expoentes da beleza nacional, como Maitê Proença, Betty Faria, Sônia Braga, Luiza Brunet, Vera Fisher, entre algumas, estampavam as capas da revista com seus corpos nada siliconados e sem nenhum retoque de photoshop, mostrando realmente a beleza bonita de ser vista e admirada por metade da nação, e o que vemos agora? Ex- participantes de BBB, atrizes nada representativas à dramaturgia nacional, dançarinas ora de máscara, ora sem, segurando o tchan ou não, namoradas de pseudo-famosos e até jornalista ex-amante de senador; aquelas que sempre indagamos: "Famosas quem?"

Agora pergunto: O que mudou? E eu mesma respondo: O oportunismo é a palavra do novo século.

O que vemos agora nas capas de revistas de mulher pelada são moças que enxergaram no ato de ficar despida na frente de uma câmera uma chance de fazer seu pezinho de meia.

Não as estou condenando por isso, pelo contrário. Elas tiveram seus 15 minutos de fama e foram inteligentes a tal ponto de ver que a oportunidade de encher suas burras de dinheiro era aquela, e em pouco tempo voltaram a serem meras anônimas, como se nada tivesse acontecido, mas com a conta-corrente bem recheada.

Não podemos nos esquecer dos seres mais oportunistas dessa cadeia: os editores. Sempre espertos, eles perceberam a volúpia volátil do homem brasileiro e se aproveitaram disso pra vender suas revistas, quase sempre, sem conteúdo.

Estiramento Muscular ou Morda o Cotovelo

Esta já é clássica. Escrita por e inspirada em Mariana Vidal e Manoella Jubilato

Estiramento muscular ou Morda o cotovelo

Quem não valoriza o que tem e depois se arrepende: morda o cotovelo!
Quem não sabe aproveitar o tempo certo das coisas: morda o cotovelo!
Quem perde tempo se preocupando com a vida dos outros: morda o cotovelo!

Porque nós, mulheres lindas, inteligentes e bem resolvidas, só gastamos nosso tempo sendo felizes!
(portanto, nossos estiramentos musculares vêm de outras atividades...)

A tiete que reflete

Muitos sabem que sou verdadeira amante do futebol. Vou ao estádio, torço ferozmente pelo meu time do coração, acompanho a maioria dos campeonatos e, como toda boa brasileira, tenho um interesse especial pela seleção brasileira. E para minha felicidade, a seleção jogaria na minha cidade na última semana.

Assim que soube da presença da (discutível) elite do futebol brasileiro armei todo um esquema para acompanhá-la: ir ao estádio, assistir aos treinos, tudo – conforme manda o figurino. Porém minhas tentativas neste aspecto foram em vão.

No dia da venda dos ingressos para o jogo, rumei para a bilheteria com certa antecedência para conseguir as entradas, só que para minha surpresa e raiva, tudo acabou em poucas horas e algumas pessoas na minha frente.

Só conseguiria entrar no estádio comprando o ingresso de algum cambista que praticasse juros exorbitantes, bem acima do meu cheque especial ou cartão de crédito. Confesso que minha vontade era de trombar com tal “contraventor”, enchê-lo de pancada e pegar todos os ingressos dele – Perdeu, playboy! Você é um fanfarrão! Pede pra sair!

Conformada com a minha não ida ao jogo, restava me contentar com o treino que seria aberto ao público no estádio. Pensando que seria como o jogo ocorrido em outra cidade: comprei um quilo de alimento não perecível e rumei para o dito local.

Uma verdadeira muvuca estava armada na frente do estádio: carros de emissoras de tv, polícia e vários torcedores, como eu, munidos de seu feijão, açúcar e arroz. Porém demos com a cara no portão!

Diante daquela confusão, não sabia o que fazer, então circundei o estádio e vi um dos acessos aberto – era por onde a rede de lanchonetes que atende o local entregava seus quitutes no momento do início do treino. Não pensei duas vezes, adentrei ao recinto, me acomodei na arquibancada e por ali fiquei por menos de quinze minutos.

Por uma exigência ridícula de alguém que não sei quem aquele treino de reconhecimento do campo não poderia ser visto pela massa de não-jornalistas que me seguiram e entraram no estádio, e por isso a polícia enxotou os torcedores da arquibancada, inclusive eu.

- Deixe o recinto, moça!
- Mas por quê? Eu quero ver o treino!
- O treino não é aberto. É proibido ficar aqui hoje! Como você entrou?
- Ué, pelo portão! Onde mais? Ou você acha que sou mulher de ficar pulando portão, seu policial? – E fui embora dali a passos fortes.

Porém nem tudo foi perdido na minha investida de torcedora fanática. Em todas estas investidas tive a companhia de um amigo meu, que ficou algumas horas na fila de ingressos e invadiu o estádio para assistir ao treino comigo - ele também é amante de futebol, se não fosse, não teria acatado minha brilhante e maluca idéia de ver a seleção no hotel - e foi isso que salvou o dia!

Combinamos ir ao hotel ver a seleção antes de partir para o treino de reconhecimento do campo; só dessa forma veríamos os jogadores de algum jeito.

Chegando ao hotel deparei com aquele circo de jornalistas esportivos, complementado por uma dupla de comediantes, uma ex-modelo repórter de programa de fofocas e várias adolescentes alucinadas, insanas e com gogós bem potentes. Pensei: Putz, e agora? - Depois de tantas tentativas frustradas, a única coisa que eu queria era ver a única celebridade merecedora da minha admiração.

Não é ator, autor, cantor, um artista qualquer, mas sim um artista da bola. Embora meio esquecido pela imprensa e no banco de reservas da seleção desde a Copa América; nutro por ele uma admiração incondicional. Não chega a ser uma tietagem, pois não sou do tipo de pessoa que grita por qualquer um, mas um desejo de querer conhecer a pessoa, conversar, saber como ela é fora do ambiente que envolve as quatro linhas do campo.

Depois da entrada naquele espetáculo montado a céu aberto na frente do hotel, passei a reparar no que estava ao redor: o ônibus da seleção à direita e um mini-campo de golfe à esquerda, que pouco chamou minha atenção. Porém o amigo que me acompanhava reparou numa coisa que não havia reparado naquele campinho: quem jogava, e me chamou:

- Dá só uma olhada!, e apontou
- Tá zuando! – Sim! Era ele!

Na hora não sei que turbilhão de emoções tomou conta do meu corpo. Não sabia o que fazer a não ser olhar meu admirado e pensar: Por favor, seja um cara estúpido bem escroto, para eu parar com essa admiração, contrárias às minhas concepções que negam qualquer forma de tietagem. Acho isso tão ridículo!

Mas para saber se o cara era um estúpido escroto tinha que me aproximar dele. Cheguei a um câmera que filmava o meio-campista reserva e o goleiro titular jogando golfe, e perguntei:

- Será que eles se incomodam de eu pedir para tirar uma foto com eles?
- O máximo que você pode ouvir é um não.

Na hora meu amigo interfere:

- Vai lá! Tenho certeza que você nunca receberá um não.

Entreguei minha alma a Deus, a máquina fotográfica para meu amigo, respirei fundo e caminhei em direção ao jogador. Quando estava na metade do trajeto, o jogador olha na minha direção; vendo que aquela era a minha deixa, disparei:

- Por favor, você pode tirar uma foto comigo?

Ele abre um largo e lindo sorriso e diz: Claro! - Poxa! Não estava nos meus planos ele ser simpático e receptivo. Mal sabia eu que tudo que arquitetara desabaria em poucos segundos.

Ao nos aproximarmos me apresentei e o cumprimentei como é de praxe em terras paulistanas: um encosto de rostos; só que ele me ofereceu a outra face e eu estalei um beijo na sua bochecha esquerda, sentindo que sua barba nem espeta e marcando sua face com meu batom. Por instinto natural, sublimo a mancha colorida feita pela minha boca com os dedos e reparo no quanto este gesto é carregado de carinho e afetividade.

É hora da foto, faço um malabarismo corporal para ficar mais baixa que ele e ele circunda minha cintura com seu braço. Faço o mesmo: encosto minha mão em suas costas, mas reparo que minha mão não obedecia e tremia de forma incontrolável. Atentando para isso afasto-a para que ele não perceba minha falta de controle corporal.


Nos despedimos e me afasto. É neste momento que percebo que em situações de emoção extrema não tenho algum controle do meu corpo: começo a pular, a dançar, a sorrir e sinto meu coração disparar. Reação equiparada naqueles primeiros beijos de paixão adolescente.

O goleiro titular pede para que eu saia da direção da bola de golfe a ser lançada, pois a mesma poderia me machucar. Pensei: pode jogar o que você quiser não tô sentindo meu corpo mesmo... E saí do mini-campo.

De longe, observo aquele jogador que tanto me fascina, e reflito: “ele tem tudo que eu gosto num homem e é tudo que eu não quero pra mim: ele é mais baixo que eu, mais novo que eu, mas em compensação, tem um sorriso lindo, os olhinhos pequenos, covinha no rosto, uma pele gostosa, um corpo bem torneado, um carisma absurdo, além de aparentar ter aquela pegada!”

Confesso que a idéia de dar meu telefone pra ele passou pela minha cabeça, mas já era tarde – também, de tanto refletir... – ele tinha rumado para dentro do hotel e seguiria para seu treino de reconhecimento.

Até tentei uma outra aproximação na ida ou na volta do famigerado treino, mas não consegui entregar o papelzinho com meus números rabiscados. Isso ficará para uma outra oportunidade. Porém tenho consciência de que este novo encontro não será a mesma coisa, afinal de contas, os momentos sublimes e verdadeiramente inesquecíveis só acontecem uma vez!

A desculpa do tatu

Sei que quando bebo faço coisas que possam vir a me arrepender depois, mas desta vez isto não aconteceu: bebi demais, fiz besteira, mas não me arrependo.

Faz um tempo que estou com um affaire com um rapaz, que de início parecia um cara bacana, comprometido com as coisas e comigo. Só que não sei o que aconteceu que de repente, ele sumiu.

Já estava acostumada com seus foras, seus bolos e suas desculpas esfarrapadas. Até engoli a vez que nos encontramos certa véspera de feriado e combinamos de viajar no final de semana seguinte para aproveitarmos a praia com mais calma, sem a muvuca da alta temporada.

Na ocasião, ele ficou de me ligar durante a semana para acertamos todos os detalhes da nossa viagenzinha romantiquinha. A semana passou e nada do dito moço ligar. Poxa! Mulher precisa providenciar uma série de coisas, como depilação, biquínis, malas, etc. Não é que nem homem que basta enfiar na mochila carcomida do colegial qualquer cueca rasgada ou bermuda manchada de cândida, que já está pronto para aproveitar o mar.

Ele só me ligou na sexta-feira, dia do passeio combinado, falando que poderíamos nos ver. Na hora percebi que aproveitar o sol litorâneo não aconteceria nos dias seguintes. Pra completar, o cara me deu outro bolo e eu fiquei comendo pipoca e chupando o dedo em casa durante o final de semana.

Desde este dia prometi pra mim que nunca mais procuraria esse ser humano enrolado e que estava me enrolando há tanto tempo.

Mas acontece que quando a gente bebe umas coisinhas alcoólicas a mais a gente acaba esquecendo as promessas que nos fizemos no passado, e eu acabei ligando pra ele de novo.

No alto da minha bebedeira, eu tinha consciência que corria o risco de não ser atendida, mas quando eu menos esperava e quando já quase desistia, o cara atendeu o bendito celular.

- Oi, gata, como você está?
- Eu estou bem! E você? - falando daquele jeito típico bem mole, com pouco controle dos músculos da boca.
- Estou aqui na USP Lost, tive aula até agora – já era tarde da noite.
- Ahn tá...
- Meu, você não sabe... acho que não vou conseguir chegar cedo em casa.
- Porque? Seu carro quebrou?
- Não! Tem um tatu debaixo do meu carro.
- Como é que é? - o baque foi tão grande que parte da sobriedade voltou para o meu corpo, e continuei:
- Você acha que eu vou acreditar nessa história de tatu? Deixa de ser idiota e achar que eu sempre vou acreditar nas suas desculpas! Essa foi demais! – e desliguei o celular, indignada.

Poucas horas depois passei mal. Não sei se foi por causa da cerveja, ou do amendoim, ou da calabresa, mas acho, sinceramente, que o culpado de tudo foi o tatu, o inofensivo animal rastejante, que estava entalado na minha garganta e que tinha que ser colocado pra fora, junto com o canalha que queria salvá-lo. Ambos saíram da minha vida descarga abaixo.